Esperança é confiar que algo bom vai acontecer. Algo que parece impossível. No entanto, acreditar na recuperação de um dependente químico, quando todo o cenário indica que ele não quer outra vida, traz, muitas vezes, desesperança. O projeto Fazenda da Esperança, através de três pilares – trabalho, convivência e espiritualidade – mostra que, sim, é possível ver a vida desses homens restaurada. Quase 700 fiéis lotaram, nessa quarta-feira (22), o Teatro RioMar porque acreditam que Toda Vida Tem Esperança. Além de vivenciar belíssimos testemunhos de vida, louvar e adorar a Deus, ajudaram as obras de mais uma Fazenda da Esperança, em Jaboatão dos Guararapes. O evento filantrópico foi realizado pela Arquidiocese de Recife e Olinda, com apoio do RioMar Recife.

O evento multicultural e religioso começou com uma peça teatral apresentada pelos jovens da Fazenda da Esperança, inaugurada em março deste ano. Um dos rapazes que estava no palco, Lucas de Siqueira, 25 anos, contou um pouco da sua história. “Vim de uma família estruturada, estudei em boas escolas. Mas tive um pai refém de alcoolismo. Meu pai era meu espelho e vê-lo daquela forma me deixava muito triste. Aos 14 anos, experimentei cerveja, depois veio a maconha e a cocaína. Com a cocaína, veio toda minha revolta e egoísmo, além de muitas perdas. Eu nunca terminava nada”, falou Lucas.

Depois da cocaína, Lucas acabou entrando no crack, quando chegou ao fundo do poço. O desejo de mudança chegou com o nascimento da filha. “Eu comecei a perceber que ela iria passar pelo mesmo sofrimento que tive com meu pai”, lembra. Depois de quinze dias se drogando na rua, Lucas decidiu se internar. Está na Fazenda da Esperança há quatro meses. “Não estou tratando apenas as drogas. Tenho certeza que vou sair um novo homem”, espera.

O público ainda conferiu um bate-papo com os fundadores do projeto, Frei Hans Stapel e Nelson Giovanelli, ao lado do arcebispo de Recife e Olinda, dom Fernando Saburido. Fundada em 1983, a Fazenda da Esperança integra a Obra Social Nossa Senhora da Glória, com sede em Guaratinguetá (SP), uma associação internacional de fiéis que atua na recuperação de dependentes químicos. Hoje, são 138 fazendas espalhadas em 22 países.

A renda obtida com a venda dos ingressos do show foi 100% revertida para concluir a construção da Fazenda da Esperança Padre Antônio Henrique, em Muribequinha, Jaboatão. Com o valor arrecadado, será possível finalizar mais uma casa, além de começar a construir a capela. De acordo com a Arquidiocese, ainda é preciso cerca de R$ 1,2 milhão para finalizar as obras.

Também participaram da noite o frei Damião Silva e o cantor Dunga, da Comunidade Canção Nova, ao lado do Ministério de Música da Comunidade Obra de Maria. Dunga, que já foi dependente químico, deu seu testemunho: Há 35 anos atrás, eu era jovem e usava cocaína. A minha mãe rezava: ‘Pai do céu, tira meu filho dessa vida’. Cinco anos depois, drogado, eu entrei numa igreja e sai de lá batizado com o Espírito Santo de Deus”, revelou. Para o cantor religioso, a Fazenda da Esperança ressuscita filhos e pais de todo o Brasil através de um projeto de resgate e evangelização.

Um dos momentos mais emocionantes da noite foi o relato do casal Paulo e Assuelma Marques, que vieram de João Pessoa (PB), para falar da restauração do filho Lincoln, 18 anos, que se envolveu com drogas quando tinha apenas 16. “Eu disse para meu marido, se nosso filho não mudar de vida, não passa deste ano”, falou Assuelma. Foi diante de dois traficantes com uma arma apontada para sua cabeça, na sala de sua casa, na frente dos seus pais, que o jovem aceitou se internar. “Quantas vezes cheguei em casa e minha mãe estava rezando o terço. Uma vez até quebrei o terço dela de tão drogado que estava”, falou Lincoln, que passou um ano e meio na fazenda e ainda está em processo de recuperação.

Cristãos celebram a graça no primeiro Encontro de Fé, no Teatro RioMar