Empoderar é o ato de dar ou adquirir poder. Não importa como. Para a jovem Rayza Nicácio, o empoderamento veio quando ela resolveu assumir seus cachos. Simples não é?! Para muitas mulheres, nem tanto. Rayza começou sua carreira na web em 2009, postando vídeos que falavam sobre aceitação e beleza. Como a maioria das garotas que têm cabelos cacheados ou crespos, começou ainda criança a alisar os fios. Aos nove anos, fez o primeiro relaxamento. “Era muito difícil para mim ser a moça do antes dos comerciais de shampoo.”

Com o tempo, se viu diante de uma situação que pedia uma decisão mais definitiva em relação ao cabelo. “A minha mudança aconteceu quando fui para um acampamento da igreja. Minha mãe sempre fazia escova e chapinha todo fim de semana no meu cabelo, mas ela não ia acampar comigo. Então, eu precisava dar um jeito”, lembra. Rayza tinha duas opções: ou alisava de vez os fios ou tentava usar o cabelo natural, mesmo ele estando fragilizado por causa do relaxamento. “Eu acordei disposta a tentar. Lavei e finalizei meu cabelo. Óbvio que não ativei o volume, nessa época eu não gostava. Mas eu me vi diferente e, pela primeira vez, me dando uma chance. Por isso, eu sempre falo para as meninas se darem uma chance”, relata.

Hoje, nove anos depois, com quase 1,5 milhão de inscritos em seu canal no Youtube, ela continua falando sobre empoderamento feminino e autoestima. Inclusive, em um de seus vídeos recentes, questionou uma ideia que tem se disseminado atualmente.

“Dizem que cabelo cacheado está na moda e é valorizado em todo lugar, mas não é moda. Ninguém passa por transição por moda, nem enfrenta sua imagem no espelho por moda. Imagem essa que foi odiada, cabelo esse que foi muitas vezes repuxado, maltratado e, incontáveis vezes, motivo de choro que fez de nós nossas maiores agressoras”.

No vídeo, Rayza se refere à “popularização” da transição capilar, processo que consiste em parar de passar por processos químicos e usar os fios naturais. Ultimamente, cachos, cacheados e transição capilar estão entre os termos mais pesquisados do Google, mas essa mudança não se trata, simplesmente, de não alisar os cabelos ou evitar o uso da chapinha e, sim, sobre aceitar a sua beleza e desestereotipar o que, geralmente, é identificado como belo.

“Além de ser um processo de aceitação, o nosso cabelo acabou entrando na moda. Não foi a gente que começou a entrar na moda de usar o cabelo cacheado. Foi o oposto. A moda que teve que entrar no nosso universo, engolir, aceitar e entender. Mas, ter pessoas que têm esse cabelo e estão na moda, representando com capa de revistas e comerciais é muito bom e importante para nossas adolescentes e crianças”, afirma.

A digital influencer acaba servindo de exemplo para muitas mulheres se aceitarem, mas as redes sociais também criaram uma ligação de suporte mútuo entre as #intimasdaray, como o seu público é denominado, e ela própria. É fácil encontrar nas páginas da youtuber frases como “você me mostrou que cabelo cacheado e crespo também é lindo. Eu não enxergava isso.”

Rayza vai compartilhar sua história no RioMar Entre Elas, no próximo dia 13, no Teatro RioMar. Ao lado de Zezé Motta, ela irá falar sobre empoderamento feminino. O evento, que começa às 18h, ainda conta com palestra Inovação e Criatividade, com Martha Gabriel, e o painel Empreendedorismo Feminino com a artista visual Joana Lira e com a empreendedora Maria Ilza da Conceição, mais conhecida como Dona Coxa.

Os ingressos custam R$ 40 e R$ 20 (meia) e estão disponíveis na bilheteria do Teatro RioMar e também online.

Olha o convite de Rayza para o RioMar Entre Elas 🙂

Zezé Motta, Entre Elas: uma história de superação

Dona Coxa, Entre Elas: um sucesso no entorno do RioMar