Aproximar as pessoas da música clássica gratuitamente e com comodidade. Desta quinta-feira (20) até o próximo domingo (23), o RioMar Recife promove Concertos da Primavera, na Praça de Eventos 1, Piso L1, e traz renomados músicos eruditos que prometem encantar o público.

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Um deles é o tenor Ulisses Montoni. Natural de Osasco (SP), Ulisses recebeu em 2017 o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes, em reconhecimento a seus serviços de divulgação da música clássica brasileira. A equipe do Viva RioMar entrevistou o músico e que agora você pode conferir.

1. Como começou o seu interesse pela música clássica?

Começou aos 14,15 anos. Sempre gostei de música italiana, por causa dos meus avós, mas só comecei a estudar aos 17, quando entrei no Coral da USP.

2. Quais os desafios da música erudita no Brasil?

O maior desafio é fazer as pessoas entenderem que a música clássica não separa, não elitiza e não exclui nada nem ninguém. E a mídia precisa abrir as portas muito mais pra esse estilo, e compreender que não é algo que as pessoas não gostam, elas apenas não tiveram a chance de conhecer.

3. Como é possível estreitar a relação entre a música erudita e o interesse popular?

Existe um movimento musical muito forte no exterior, mas ainda pouco conhecido aqui (no Brasil), que é o “Classic Crossover”, a mistura da música clássica com a pop. Posso dizer que sou um dos poucos artistas líricos no Brasil que promove esse estilo, que atrai muito mais o publico, sem perder o refinamento característico da música erudita.

4. Qual a importância de eventos como o Concertos da Primavera, promovido pelo RioMar Recife, gratuitamente?

A importância desse tipo de evento é gigantesca. E o RioMar, como empresa, cumpre um papel fundamental nisso, fazendo a ponte entre o artista e o público. Promover eventos de música clássica em espaços gratuitos é algo muito nobre, coisa que o governo deveria fazer, mas como faz muito pouco, ou simplesmente não faz, uma empresa como o RioMar merece todo nosso respeito por preencher essa “lacuna cultural”.

5. As Quatro Estações são quatro concertos para violino e orquestra do compositor italiano Antonio Vivaldi. O que você pode nos contar sobre a originalidade de se compor músicas e sonetos inspirados nas mudanças das estações do ano?

Vivaldi, assim como todos os grandes compositores, eram pessoas de sensibilidade muito além do comum. Na historia da música temos varias obras inspiradas em fenômenos da natureza ou belezas naturais. Já foram compostas obras inspiradas em canto de pássaros, em correntezas de rios, em montanhas ou até em patrimônios culturais, por exemplo.

6. Em seu repertório, há alguma relação com a primavera ou alguma influência da estação em sua forma de se apresentar?

Toda obra que canto foi composta por alguém que captou algo interessante do nosso mundo, seja uma mudança de estação, de clima, enfim. Acredito que estamos todos conectados, e a música abre ainda mais essa conexão, assim como as estações do ano também estão ligadas a nós, e mudam naturalmente.