As mulheres da obra de Luzilá Gonçalves no primeiro dia do Festival de Literatura

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Luzilá Gonçalves foi a grande homenageada do dia. Foto: Paloma Amorim/divulgação

Aos dez anos, a pernambucana Luzilá Gonçalves encontrou a literatura na biblioteca do irmão Lupércio. Vinda de uma família de sete filhos, nascidos em Garanhuns, no Agreste, teve como sua primeira referência feminina a mãe, professora e fotógrafa. Quando se mudou para o Recife, mergulhou de vez no mundo das letras. Desta vez, na Biblioteca Pública da Encruzilhada. “Foi lá onde descobri muitas mulheres que acabaram sendo referência para minha obra: Cecília Meireles, Clarice Lispector, Grazia Deledda, Marie Bashkirtseff, Alia Rachmanova, Alexandra Kolontai e Katharine Mansfield”, lembra.

A obra literária de Luzilá Gonçalves, 80 anos, foi destaque do primeiro dia do Festival de Literatura RioMar, que começou nesta terça-feira (17) e vai até a quarta, no Teatro RioMar. O evento, que também faz homenagem ao escritor Raimundo Carrero, é gratuito.

A OBRA DE LUZILÁ A pernambucana Luzilá Gonçalves, uma das homenageada do festival

“Aos dez anos, deitada numa rede e isolada, com sarampo, encontrei a literatura na biblioteca do meu irmão Lupércio. De repente, o quarto se encheu de personagens. Minha solidão acabou. Descobri que as palavras podem criar mundos, fazer surgir aquilo que não existia antes. Uma revelação. Aí me prometi que um dia escreveria coisas belas como aquelas que estava lendo, haja pretensão. Leitora, eu partilhava com eles a fome de beleza e de solidariedade humana, de que todos necessitamos. Autora, acho que é isso ainda que me leva a escrever”

O texto acima, dos atores Álcio e Lívia Lins, foi extraído da peça encenada no palco do Teatro RioMar pela companhia Dispersos Cia de Teatro. Uma bela homenagem à escritora, que estava na plateia. O texto foi baseado em entrevistas da autora e trechos de obras como os escritores Mario de Andrade, Casimiro de Abreu e Carlos Drummond. Como uma conversa de Luzilá  com eles.

TEATRO Grupo Dispersos fez duas apresentações
PÚBLICO ATENTO Teatro RioMar estava lotado, na abertura do festival
JOVENS Alunos do Instituto JCPM e de escolas públicas prestigiaram o evento

Logo depois, veio o painel Música e Literatura, com o jornalista José Telles e o músico Cláudio Almeida. Um momento de interação entre o público e os convidados. Cláudio tocava, Telles explicava a referência da canção com os autores. Lindo o momento em que a plateia cantou O amanhã é distante, de Geraldo Azevedo.

A programação continuou com o painel A prosa e a poesia de Luzilá Gonçalves, com Alexandre Furtado e Lourival Holanda. Logo depois, o grupo de teatro Dispersos voltou encenando o texto “Nosso Amor”. Houve ainda uma bonita homenagem prestada pela escritora Ana Maria César.

O evento terminou com a palestra “A poesia que transforma”, ministrada pelo poeta e escritor Bráulio Bessa que, desde 2014, comanda o Poesia e Rapadura, no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. Nordestino, Bráulio falou de sua trajetória na TV, desde quando foi convidado pela primeira vez e, depois de algumas apresentações, recebeu o desafio de fazer parte do elenco fixo.

“Depois de algumas participações, eu me senti covarde. Covarde com meus sonhos e com minha arte. Eu tinha o sonho, desde os 14 anos, de escrever um livro com os meus poemas para mudar a vida das pessoas. Foi quando decidi recitar um poema, de apenas uma estrofe, com 15 segundos, exatamente no Dia do Nordestino”, lembrou.  Foi depois de seguir o seu sonho que Bráulio foi contratado.

Sua poesia, desde então, vem transformado vidas. Já falou, às sextas-feiras, de temas áridos como violência contra a mulher, racismo, suicídio. Mas também já falou de recomeço, perdão, amor. “A poesia é um abraço despretensioso. Consigo, através dela, chegar à alma das pessoas”, falou o escritor.

Bráulio Bessa terminou sua participação no festival em forma de poesia. Como não poderia deixar de ser!

Homenagem a Raimundo Carrero 

O Festival de Literatura RioMar continua nesta quarta-feira. O homenageado é o romancista Raimundo Carrero, natural de Salgueiro, no Sertão pernambucano. Além de vasta programação em homenagem ao escritor, haverá show do cantador Santanna. A entrada é gratuita, de acordo com a capacidade do Teatro RioMar.

» Dia 18 de abril, a partir das 14h

Abertura: Margarida Cantarelli – Presidente da Academia Pernambucana de Letras
Teatro e Literatura: Álcio Lins e Luís Reis
Dispersos Cia de Teatro com o texto: “A menina morta”
Painel com Raimundo Carrero, Flávia Suassuna e Luzilá Gonçalves
Dispersos Cia de Teatro com o texto Domingos e o Sonho
Show de Santanna o Cantador

Raimundo Carrero dá dicas de como escrever bem



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