*Por Sérgio Maffioletti

Na última quinta-feira (2), tivemos oportunidade de ouvir e debater sobre cidades e suas soluções para a sustentabilidade ambiental e as tecnologias que permitem que sejam reaproveitados os recursos naturais e mitigados os impactos ambientais inerentes à ocupação e atividades nas áreas urbanas. E isto ocorreu com alguém que tem como missão apresentar estes exemplos que surgem no Brasil e no Mundo, o jornalista e apresentador do programa “Cidades e Soluções”, da GloboNews, André Trigueiro.

Das diversas falas e pontos que foram debatidos por Trigueiro, podemos ressaltar três de maior relevância: Geração de Resíduos e Coleta Seletiva; Produção de Energia Limpa (eólica e solar); e Uso de Efluentes de Esgoto como biofertilizantes e água potável.

Sobre a geração de resíduos e coleta seletiva, foi enfatizado que o maior posicionamento hoje não é apenas tratar os resíduos gerados, mas buscar a redução da produção destes. E isso passa não só pelo setor das industrias de embalagens, mas a de desenvolvimento de produtos duráveis, que tenham maior vida útil ou demorem para chegar a sua obsolescência programada, e claro no posicionamento adequado do consumidor final. Num contexto social, foi exaltado por Trigueiro o grande serviço ambiental realizado pelos catadores de recicláveis, elo entre a sociedade e a destinação adequada dos resíduos, que age de forma solidária e incansável na coleta de recicláveis e enxerga nos resíduos muito mais do que um retorno financeiro, mas a manutenção da sua dignidade e da proteção ambiental.

Na temática energia, o ponto crucial foi a produção de energia limpa e sustentável via projetos de usinas eólicas e solar, e nesta situação o Brasil tem os melhores indicadores de todo o planeta, em especial no nosso litoral nordestino, que possui ventos fortes e constantes, sem oscilações bruscas, e uma insolação de longa duração, com menor interferência de nuvens. Isso nos faz uma mina de ouro da energia renovável.

Um detalhe sobre a energia solar no Nordeste são os ganhos sociais e econômicos para o sertanejo, que recebendo em suas terras este tipo de projeto passaria a ganhar royalties pelo uso do espaço. Além de garantir um retorno financeiro, a disponibilidade de energia perto da sua casa permite a instalação de poços artesianos e assim fomenta outras cadeias produtivas locais.

Na conversa sobre o uso de efluentes de esgoto como biofertilizantes, foi relatado por Trigueiro que ainda é o tema com maior dificuldade em se tornar realidade num curto espaço de tempo, sendo este resíduo líquido de complexo tratamento para reuso. Porém, sua utilização não se restringe apenas à produção de adubo para a agricultura, mas já é realidade em países do Oriente Médio e Índia, onde o tratamento de esgoto alcança uma potabilidade que permite a ingestão pelas pessoas, sem que haja danos à saúde.

O debate ocorrido demonstra mais do que nunca que temos na mão a oportunidade de mudar a realidade de nossas cidades, e isso depende de ações estratégicas públicas e privadas ao implantar empreendimentos mais sustentáveis. Mas também devemos nos lembrar da importância de que cada um faça sua parte contra a geração desnecessária de resíduos e no uso e consumo de recursos tão importantes com água e energia, no dia a dia.

*Sérgio Maffioletti é gerente de desenvolvimento socioambiental do Grupo JCPM