Por Jussara de Paula*

Ainda é senso comum acreditar que a nossa responsabilidade em relação aos resíduos que produzimos se acaba no momento em que colocamos o saco de lixo para fora de nossa casa. Mas essa atitude considerada tão simples merece atenção especial.

De acordo com o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), cada brasileiro gera diariamente cerca de 700 a 950g de resíduos. Considerando a quantidade média de pessoas nas famílias brasileiras – 4,5 indivíduos – é importante entender que o descarte dos resíduos seja feita de forma correta, evitando que materiais recicláveis, lixo e resíduos orgânicos se misturem.  Desse quantitativo, você sabia que cerca de 600g são praticamente resíduos orgânicos?

Infelizmente, são esses números descartados, diariamente, nos lixões e aterros, ocasionando contaminação das águas, do solo e emissão de gás metano. Mas, espere! Esse cenário tem jeito. Pensando nisso e visando a sustentabilidade na prática, a primeira atitude é começar a nos responsabilizarmos pelos resíduos orgânicos que geramos.

Essa mudança de hábito se baseia no processo de compostagem, mais especificamente na composteira doméstica. Por meio dessa técnica, que pode ser aplicada em qualquer espaço, a compostagem dos resíduos acontece pela degradação de matéria orgânica, transformando-a em um excelente adubo. O processo também pode ser feito com o auxílio de minhocas, a chamada vermicompostagem.

Vamos começar:

Para montar uma vermicomposteira doméstica são necessárias três caixas plásticas escuras (sendo uma com tampa), folhas secas, galhos pequenos e cerca de 50 a 100 minhocas (a mais utilizada são as minhocas californianas). As caixas deverão ser empilhadas em três níveis. Nas duas superiores deve haver pequenos furos na parte de baixo, que serão responsáveis pela comunicação entre uma caixa e outra. São nessas caixas que a compostagem será feita. A última caixa é apenas para coletar o resíduo líquido orgânico, que diluído, pode ser utilizado para regar plantas e hortas.

O primeiro passo é forrar o fundo da caixa superior com folhas secas e pequenos galhos ou serragem. Esta primeira camada vai funcionar como dreno. Em seguida, deve-se colocar a terra com as minhocas e, logo acima, os resíduos orgânicos. É importante que eles sejam cobertos com outra camada de folhas secas para contribuir com a oxigenação e evitar geração de mau odor pelo processo.

Compostando sem minhocas

Outra alternativa é a compostagem sem minhocas. O processo é quase o mesmo, mas ela pode receber maior variedade de alimentos. Porém, o desenvolvimento do adubo tende a ser mais lento e necessita de maior revolvimento e aplicação de orgânicos secos a fim de proporcionar aeração e evitar o excesso de umidade do material, respectivamente.

Dicas

» Os depósitos dos materiais orgânicos podem ser feitos diariamente.

» Quando a caixa de cima estiver cheia é necessário trocar as posições, passando-a para baixo e colocar a vazia em seu lugar para recomeçar o processo. Não é necessário colocar novas minhocas.

» O adubo orgânico pode ser coletado em média a cada três meses.

Aquele adubo de qualidade na sua composteira. O que colocar?

» Pode usar à vontade: frutas, cascas de ovos, legumes, verduras, grãos e sementes, pó de café, saquinhos de chá.

» Usar com moderação: frutas cítricas, alimentos cozidos, flores, papéis limpos picados.

» Não pode usar: carnes, líquidos, arroz, nozes, fezes de animais, papéis higiênicos.

*Jussara de Paula é analista de meio ambiente do RioMar Recife.