Por Jussara de Paula*

A saúde do corpo e da mente inclui em se alimentar de forma consciente e equilibrada, e isso não abrange apenas a ingestão de alimentos saudáveis. A escolha do que será consumido e das preparações devem beneficiar o paladar e o meio ambiente, com base no Aproveitamento Integral dos Alimentos (AIA), uma das vertentes da chamada alimentação sustentável.

Em 2014, o Banco Mundial avaliou que, anualmente, um terço a um quarto dos alimentos produzidos para o consumo humano é perdido ou desperdiçado. Na América Latina, cerca de 15% dos alimentos disponíveis acabam na mesma realidade. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que o consumo humano é o segmento em que há mais desperdício, representando 28% do total.

Dessa maneira, é preciso pensar na seleção dos ingredientes, do preparo ao descarte de eventuais sobras, seguindo a prática da alimentação sustentável, que utiliza partes de alimentos comumente rejeitadas, como cascas, talos, sementes, entrecascas e folhas, que possuem elevado valor nutricional. Assim o conceito do não desperdício e do AIA pode ser realizado no dia a dia por qualquer pessoa.

É cientificamente comprovado que algumas partes não convencionais possuem maior concentração de determinados nutrientes do que as consumidas de maneira padrão. Ao jogar no lixo a casca de laranja, por exemplo, você está desperdiçando uma parte da fruta que contém sete vezes mais fibras, cinco vezes mais fósforo e 47 vezes mais cálcio do que a polpa.

Além de proporcionar saúde, esse tipo de alimentação também apresenta benefícios sociais, ambientais e econômicos.

A mudança para esse cenário passa por novas experiências de praticar a utilização integral dos alimentos, criando possibilidades de novos sabores, cheiros e apresentação aos nossos sentidos, cabendo a cada um a responsabilidade no combate ao desperdício e contribuindo para a sustentabilidade planetária.

Dicas de como utilizar os alimentos de forma integral

» Talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa contêm fibras, ferro, cálcio e vitamina C e devem ser aproveitados em patês, refogados, recheios, no feijão e na sopa.

» Ricas em vitamina A, as folhas da cenoura devem ser utilizadas para fazer bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas.

» A água do cozimento das batatas, beterraba e cenoura concentra algumas vitaminas hidrossolúveis. Aproveite-a para fazer purês, arroz e gelatinas.

» A casca da laranja, rica em cálcio, pode ser usada caramelizada ou em pratos doces à base de leite, como arroz doce e cremes.

» A parte branca, chamada de entrecasca, da melancia e do melão é rica em fibras e potássio. Cortada ou triturada pode ser usada para fazer doces e em recheios salgados.

» Com as cascas das frutas (como goiaba, mamão e abacaxi), podem-se preparar sucos batendo-as no liquidificador. O bagaço (que sobra na peneira) desse suco pode ser aproveitado para preparar brigadeiros e bolos.

Consumindo novos sabores: Chips de casca de batata

Ingredientes
1 kg de cascas (pode ser de batata ou mandioquinha)
Azeite
Sal

Como fazer
Lave as cascas, escorra a água e seque- as. Unte a assadeira com azeite e distribua as fatias de forma que uma não fique em cima da outra. Coloque azeite e sal por cima dos pedaços e asse em forno médio (180ºC) por cerca de 30 minutos.

*Jussara de Paula é analista de meio ambiente do RioMar Recife.