De produções pouco zelosas e recheadas de cenas apelativas até as obras premiadas internacionalmente, o Brasil tem muito a comemorar nesta terça-feira (19), data em que se celebra o Dia do Cinema Brasileiro, reconhecido pelo governo federal. O dia foi escolhido em memória ao cinegrafista italiano Affonso Segretto, que filmou sua chegada ao Rio de Janeiro em 1898, filmagem considerada a primeira gravação em território brasileiro. Durante esse percurso, os filmes nacionais passaram por uma transformação profunda e alcançaram o patamar de sucesso de público e crítica. Aqui, selecionamos dez longa metragens que foram os maiores recordistas de bilheteria do país.

» 1 – Os Saltimbancos Trapalhões, de J. B. Tanko (1981)

Quatro amigos humildes viram a grande atração de um circo com a sua capacidade de fazer o público dar gargalhadas. Porém, o sucesso desperta a inveja de um mágico e a ganância do dono do circo.

» 2 – 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira (2005)

O longa é baseado na vida da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano.

» 3 – Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, de Hector Babenco (1977)

O filme conta a trajetória do criminoso Lúcio Flávio, famoso bandido da década de 1970.

» 4 – O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, de J. B. Tanko (1977)

Os amigos Pilo e Duka ganham a vida em brigas simuladas nas praças públicas, enquanto Fumaça recolhe apostas. Pensando que são homens corajosos, a jovem Glória contrata os três para uma expedição às minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo, é prisioneiro.

» 5 – Se Eu Fosse Você 2, de Daniel Filho (2009)

O filme é uma comédia leve e divertida estrelada por Glória Pires e Tony Ramos no papel de um casal que troca de corpo.

» 6 – A Dama do Lotação, de Neville de Almeida (1978)

Com toques de romance e dramas, este é o segundo filme estrelado por Sonia Braga (o outro é “Dona Flor e seus dois maridos”).

» 7 – Minha Mãe é Uma Peça 2, de César Rodrigues (2016)

Dona Hermínia passa a apresentar um bem-sucedido programa de TV e fica rica. Porém, ela vai ter que lidar com o lar vazio, pois Juliano e Marcelina resolveram sair de casa. Para balancear, Garib, o primogênito, chega com o neto. E ela também vai receber uma longa visitinha da irmã Lucia Helena, a ovelha negra da família, que mora há anos em Nova York.

» 8 – Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto (1976)

Dona Flor se casa com Vadinho, que é muito bonito e apaixonado, mas não lhe oferece muito. Ela sustenta a família cozinhando para seus vizinhos, mas o marido aposta a maior parte do dinheiro. Vadinho morre repentinamente e Dona Flor começa a sentir falta do casamento. Ela se casa com o médico Teodoro Madureira, mas ele é o oposto de Vadinho. Enquanto Dona Flor está casada com Teodoro, o fantasma de seu falecido marido aparece.

9 » Tropa de Elite 2, de José Padilha (2010)

Os acontecimentos deste filme ocorrem mais de dez anos após os do primeiro e mostra o amadurecimento do então coronel Nascimento, personagem de Wagner Moura, que agora é sub-secretário de Inteligência na secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro.

10 » Os Dez Mandamentos, de Alexandre Avancini (2016)

O filme conta uma das mais famosas passagens da Bíblia: a história de Moisés, desde o seu nascimento até sua velhice, destacando o encontro com Deus no Monte Sinai, as pragas lançadas sobre o Egito, a sua participação na libertação do povo hebreu, a passagem pelo Mar Vermelho e a revelação dos dez mandamentos da lei de Deus.

Filmes que marcaram a produção nacional

Sem entrar na lista das maiores bilheterias da história, mas nem por isso menos importantes, há filmes que marcaram o público brasileiro e que também merecem destaque.

» Central do Brasil

O longa, de 1999, é de Walter Salles e emocionou as plateias do mundo todo com a história emocionante da amizade entre Dora, uma amargurada ex-professora, que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas, e Josué, o filho de nove anos de idade de uma de suas clientes, que acaba sozinho quando a mãe é morta em um acidente de ônibus.

A obra foi indicada ao Oscar daquele ano na categoria Melhor Filme Estrangeiro. A interpretação de Fernanda Montenegro lhe rendeu ainda a indicação para Melhor Atriz.

» Cidade de Deus

O filme (2002), dirigido por Fernando Meirelles, marcou época na história do cinema brasileiro. Baseado no romance de Paulo Lins, é uma saga urbana que acompanha o crescimento do conjunto habitacional de Cidade de Deus, entre o fim dos anos 60 e o comeþo dos anos 80, pelo olhar de dois jovens que moram na comunidade: Buscapé, que sonha se tornar fotógrafo, e Dadinho, que se torna um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro.

Em 2004, o longa foi indicado para concorrer ao Oscar em quatro categorias: melhor diretor, melhor roteiro adaptado (Bráulio Mantovani), melhor fotografia (César Charlone) e melhor edição (Daniel Rezende). Além disso, foi eleito o oitavo melhor filme nacional de todos os tempos, segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

» Carandiru

Foto: Globo Filmes

Em 1992, um episódio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru entrou para a história da cidade de São Paulo. No dia 2 outubro, depois do início de uma rebelião no Pavilhão 9, diversas tropas de elite da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, entraram no prédio e mataram ao menos 111 presos. O filme (2003), dirigido por Héctor Babenco, conta a história do presídio antes e depois do Massacre de 1992, e narra a história de um médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que se oferece para realizar um trabalho de prevenção a AIDS no maior presídio da América Latina, o Carandiru.

O longa possui um elenco de peso com Rodrigo Santoro, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Gero Camilo, Caio Blat, entre outros. É baseado no livro “Estação Carandiru”, de Dráuzio Varella.

» Aquarius

Dirigido pelo diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho, Aquarius é uma obra de profundo olhar sentimental, que trata do valor da memória através da compreensão do que é antigo, sem que seja necessário descartar o novo. A história é baseada na vida de Clara (Sonia Braga), que tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessados em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

O longa foi eleito o melhor filme estrangeiro pelo Sindicato Francês da Crítica de Cinema e concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 2016.